A partilha e as questões importantes têm tanto de fascinante como de complicado.
Estou a falhar num aspecto. Em dois mais especificamente, e não quero com isto formar uma bola de neve, que já vai surgindo em mim, e que se manifesta no momento exacto em que eu desejo que tal não se verifique.
O problema de perguntar é que, mais tarde ou mais cedo, também terei de responder.
O problema de me expor engloba também a vertente de expor os outros que se relacionam comigo e as suas fraquezas e eu não quero isso. Não me recuso a faze-lo com uma intensão estupidamente perfeccionista. Não se trata de perfeição, mesquinhez, teimosia ou falta de confiança.
Trata-se de julgamentos.
Mesmo quando estamos próximos de uma pessoa é demasiado fácil julga-la mesmo que inconscientemente. É algo intrínseco ao ser humano e é uma natureza que ele revela muito comummente.
Torna-se torturante e embaraçoso que ao expormos um problema, que para nós mereça inteiramente essa categorização. Alguém lhe venha pôr uma reticência e quase perguntar "mas é só isso?"
Nunca fui apologista dos mas e se’s em questões que para mim ou para os outros sejam importantes.
A questão não passa unicamente por uma desconsideração das categorizações aplicadas aos factos. A questão é que existem sentimentos inevitavelmente ligados aos factos e ao desvaloriza-los estamos na realidade a desvalorizar os sentimentos englobados nestes
E portanto decidimos não comunicar. Ao fazê-lo criamos uma bola de neve exclusiva.
A Patrícia faz-me falta. A perícia com que esmiuçava os assuntos mostrando verdadeiro interesse pelos mesmos era-me e é essencial. E nunca me pôs reticências à sua importância, nem me julgou pelo valor que eu decidira que era justo e sensato atribuir-lhes.
Sem a Patrícia, devido a motivos de ordem prática, se eu já apresentava tendência para aglomerar, agora vejo-me resumida a isso.