domingo, 2 de maio de 2010

180º

Ainda ontem corria pelas ruas de Lisboa de mão dada com o rapaz que assumia o papel unitário de "o primo da melhor amiga" e que agora passou a estar a meu lado.
Ainda ontem fazia uma hora de viagem para chegar ao meu destino sentada ao lado da rapariga que me acompanhou desde sempre. Ainda ontem ria com o Paulo sobre a nossa infância e sobre aquilo que nos aconteceu. Ainda ontem era tão desprovida de sensibilidade tão vazia. Ainda ontem não tinha oportunidade de ser o que actualmente sou, um ser humano mais completo que quer chegar a tudo e a todos, que quer ser tudo e que abdica de muito para o ser.
Ainda ontem sonhava com cenários, hoje vivo-os, sinto-os e desejo-os, agarro-me a eles com toda a força de que disponho. Eles mantêm-me, passaram a fazer parte de mim. Enraizaram-se sem me pedir autorização e inconscientemente fui assimilando-os ate serem meus.
Ainda ontem refugiava-me a beira mar e lá passava horas sozinha porque esses momentos me faziam falta, porque passava os meus dias rodeada. Esse cenário agora inverteu-se. E as saudades são inevitáveis. Todos à sua maneira, mais ou menos correcta, deixaram a sua marca em mim e consequentemente o seu vazio.
Agora olho as nossas fotografias os nossos sorrisos a nossa dinâmica e irresponsabilidade e sinto a sua falta.
A fase tornou-se outra, as necessidades mudaram e a atitude tambem têm de acompanhar tais acontecimentos. É essa a adaptação que estou a fazer, ninguem disse que era facil ser determinada e obstinada naquilo que quero e eu nunca assumi isso, por isso não tenho surpresas nesse campo.