terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais uma terça feira

São os planos a longo prazo que nos fazem mover, que nos impulsionam e que nos fazem ter vontade de vencer. Vencer agora para poder vencer no futuro. Quem me dera que tal lógica ou teoria tenha um sentido prático bastante concretizável.

São as expectativas no meu futuro que me movem. Isso como tantas outras coisas tem a sua vertente negativa. O que eu quero dizer é que estou tão empenhada com o meu possível futuro que não sei até que ponto estarei a aproveitar e a viver o meu presente. Não sei ate que ponto estou a perder a fase de maior descontracção da minha vida para a realização de algo que nem sequer consigo definir. Porque não posso definir o meu futuro. Por muito que grande parte dele esteja realmente nas minhas mãos. Se depender de mim, eu estou aqui, pronta a sacrificar o que poder para o conseguir. Não sei até que ponto consigo ser equilibrada nas várias áreas da minha vida. Mas tenho a certeza que esse é o meu ponto fraco. Eu e o equilíbrio sempre nos demos mal. Acho que continuamos a ter problemas um com o outro.

Sou tão boa a fazer constatações e a analisar-me não sou? Eu sei que sim.

Vamos ver se sou boa a resolver problemas então.

domingo, 9 de maio de 2010

Nunca tives-te Saudades Crónicas =O!

A nossa casa do ponto de vista idialista é onde se encontram aqueles que amamos e que nos amam. Se tal hipotese se demonstrar irrefutavel estou bem longe da sua concretização.
Hoje ao sair de Lisboa ou, de outro ponto de vista, ao voltar para o sitio onde actualmente vivo. Senti necessidade de fazer uma coisa que nunca faço e não acho que deva fazer pelo menos do ponto de vista racional. Pedi-lhe desculpas por partir. Por um lado faz sentido e por outro terminantemente não o faz.
Não é coisa que possa ou deva fazer, pedir desculpa pelas minhas escolhas e objectivos.
Foi um desculpa pelo sentimento que tal situação provoca.
Uma sensação de perda temporária que preenche o nosso intimo e nossa alma de modo intermitente e inconfortavel. Mas que me enche por dentro e me revitalisa quando vejo a data de um reencontro a aproximar-se.
É uma moeda de duas faces pela qual valerá sempre a pena lutar.

CA MEDO

Sabes o que te digo sobre esse assunto?

CA MEDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Faz sentido

É progressiva.
É progressiva a sensação de quando ponho a minha mala de viagem ao ombro ter a sentimento de não saber para onde estou a voltar.
É estranho não ter um lugar, é incomum sentir que não faço parte de nada.
As relações vão-se desgastando e a distancia sempre foi a desculpa perfeita para um afastamento ainda maior.
Por isso o gesto de voltar começa a perder o seu significado.
Isto não implica que o ficar me faça sentido. O que tudo isto implica é uma vontade de ir para mais longe e assim facilitar os "processos" que decorrem actualmente.
Não estou a defender que seja um modo de vida só estou a dizer que me ajuda a aventurar ainda mais e não a viver condicionada.
Só me condiciono por os meus objectivos e não tenho de o fazer. Não me condiciono por mais variáveis a única coisa que elas me podem fazer é afastar-me ainda mais, nada mais.

domingo, 2 de maio de 2010

180º

Ainda ontem corria pelas ruas de Lisboa de mão dada com o rapaz que assumia o papel unitário de "o primo da melhor amiga" e que agora passou a estar a meu lado.
Ainda ontem fazia uma hora de viagem para chegar ao meu destino sentada ao lado da rapariga que me acompanhou desde sempre. Ainda ontem ria com o Paulo sobre a nossa infância e sobre aquilo que nos aconteceu. Ainda ontem era tão desprovida de sensibilidade tão vazia. Ainda ontem não tinha oportunidade de ser o que actualmente sou, um ser humano mais completo que quer chegar a tudo e a todos, que quer ser tudo e que abdica de muito para o ser.
Ainda ontem sonhava com cenários, hoje vivo-os, sinto-os e desejo-os, agarro-me a eles com toda a força de que disponho. Eles mantêm-me, passaram a fazer parte de mim. Enraizaram-se sem me pedir autorização e inconscientemente fui assimilando-os ate serem meus.
Ainda ontem refugiava-me a beira mar e lá passava horas sozinha porque esses momentos me faziam falta, porque passava os meus dias rodeada. Esse cenário agora inverteu-se. E as saudades são inevitáveis. Todos à sua maneira, mais ou menos correcta, deixaram a sua marca em mim e consequentemente o seu vazio.
Agora olho as nossas fotografias os nossos sorrisos a nossa dinâmica e irresponsabilidade e sinto a sua falta.
A fase tornou-se outra, as necessidades mudaram e a atitude tambem têm de acompanhar tais acontecimentos. É essa a adaptação que estou a fazer, ninguem disse que era facil ser determinada e obstinada naquilo que quero e eu nunca assumi isso, por isso não tenho surpresas nesse campo.

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.

Mia Couto