A estrada secundária encontrava-se vazia, perfeita para eu pôr as minhas ideias em ordem. Naquele dia tinha tirado a tarde para praticar algum desporto, tirei a bicicleta da garagem fechei o grande portão da casa e sai. Tinha esperança de que alguma adrenalina me tirasse do estado de apatia em que me encontrava, deparei-me com uma descida longa e bastante acentuada, usei inicialmente as mudanças mais pesadas tinha a necessidade de ganhar a maior velocidade possível. Senti os meus músculos a contraírem-se cada vez e o facto de não ser primeira vez que enfrentava um desnível como aquele fez sentir confiante fazendo uso de toda a minha força de impulso até que atingi a velocidade que pretendia e me senti parcialmente livre dos problemas que habitavam a minha cabeça.
Foi então que um segundo veiculo, um opel de cor cinzenta me ultrapassou de modo inesperado e se colocou á minha frente para fazer uma curva apertada que se encontrava no final da descida que eu efectuava, sabia que o meu travão de traz estava com problemas pelo que se abusa-se demasiado do da frente era imediatamente projectada da bicicleta. Não entrei em pânico sabia bem os factos e as consequências, o primeiro é que ia sem qualquer hipótese de fuga ia embater, o segundo, é que sabia que o tinha de o fazer do melhor modo, de forma a fazer a causar os menores danos possíveis em mim. Não senti qualquer típico de pânico, simplesmente o meu lado racional apoderou-se de mim e consegui fazer a conjugação de força de travão e deslocação do volante perfeitas para e conseguir embater no carro que se encontrava á minha frente de lado.
Não senti nada, foi como se tivesse activado o modo “indolor”. Só quando caí para fora do asfalto consegui perceber, ao tentar levantar-me, que o meu ombro estava arruinado porque o tinha usado como primeira fonte de contacto com o carro. Foi então que desisti e deixei que a dor se começasse a propagar.