Fiz o caminho de regresso em estado praticamente catatónico, fixei um ponto aleatório e dele não afastava o olhar, ver toda aquela situação sem nada poder fazer fez-me sentir inútil. Realizei que se fosse comigo, qual seria o significado de tudo o que já fiz? todos os anos todo o sacrifício, tudo o que construi seria em vão.
Foi como ver-me a mim própria, ela era alta, ia com um andar apressado assim como tantos em seu redor, estava de cabelo atado e de óculos, quando notei a sua presença metros á minha frente ao vê-la ri.me por dentro devido ás semelhanças, de livros nas mãos ela continuava com passo apressado. Ate que o meu devaneio foi interrompido ao ouvir um agudo chiar de travões na nossa direcção, recuei e fechei o olhos de modo inevitável em modo de reflexo.
Quando os abri, a rapariga que observara, encontrava-se já no chão a poucos metros de distância, atrás dela uma carrinha e uma mulher que dela se aproximava aterrorizada ao ver a total imobilidade da jovem.
Não tive reacção permaneci no mesmo lugar foi como ver-me a mim própria, e assim fiquei ate que comecei a recuar de modo lento mantendo os olhos nas duas figuras femininas que se encontravam a escassos metros, vi pessoas a correr na direcção do acidente, entre elas um possível colega, que de imediato recorreu ao telemóvel para o pedido de socorro. Depois disso continuei a recuar ate que com os olhos pregados ao chão alcancei a paragem de autocarro.