sábado, 9 de outubro de 2010

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca
Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

I need you now

sábado, 2 de outubro de 2010

Era Suposto ser Difícil? Sim, a vários níveis.
O seres humano por vezes consegue ser, sem grande esforço ou empenho, simplesmente desprezível.
Quando por bons motivos somos tomados por alvo, então a "coisa" torna-se efectivamente interessante.
Tem me deitado em parte abaixo. Nunca fui alvo exactamente por não ter características de um.
Contudo parece-me que vai continuar a ocorrer. Por bons motivos para mim e maus para os outros.
Só posso sentir pena. A partir daí só irei ser mais persistente e melhor.